Adeus, Mixbrasil
03/06/2008
Dois anos. Dois anos de muita satisfação no comando da coluna Redoma.
Tantas amizades nasceram aqui, tanta discussão saudável, outras nem tanto, mas sempre pudemos trocar, crescer e aprender juntas.
Digo adeus já com saudades mas com a certeza de que cumpri um papel importante por aqui.
Junto com outras colunistas, movimentamos o CIO e a participação feminina no Mix, demos voz às lesbicas que se ressentiam por não ter um espaço para desabafar.
Ao André Fischer, meu carinho eterno por ter acreditado em mim e aberto as portas do site para minha presença.
A equipe do Mix Brasil, meu agradecimento por ter escolhido com tanto carinho e cuidado as imagens que ilustraram meus textos.
À Dilvania Santana, que assumiu o meu lugar, desejo que encontre o mesmo carinho que encontrei.
E a você, que acompanha meu trabalho, que participou com comentários, que quis comentar mas não teve coragem, que me escreveu e-mails particulares por não querer dividir com o público sua dor, que me apoiou, me incentivou, se emocionou com meus textos, que concordou ou discordou deles, meu mais profundo respeito e gratidão.
Meu trabalho se encerra aqui, mas começa renovado no Dykerama.com, onde assumo como editora e colunista ao lado do Paco Llisto. Ainda temos muita coisa a fazer, eu e você.
Adeus e obrigada, muito obrigada.

| Escrito por Nina Lopes às 17h59 | ![]() |
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Flores Brancas
12/05/2008
A peça se propõe a falar do universo feminino, da paixão e do amor entre duas mulheres. A cidade de São Paulo é o pano de fundo dessa história onde seus destinos se cruzam. Diante da possibilidade de terem encontrado a pessoa certa para suas vidas, Vitória e Luisa sonham com o futuro e vivem uma incrível expectativa. Um misto de ansiedade, desejo, medo, muita sedução e sensualidade permeiam a narrativa e, enquanto passam os dias e as horas, cresce nelas um sentimento nobre.
Até 31 de maio de 2008.
Sábado, 21h; domingo, 20h.
Duração: 60 minutos. Classificação: 18 anos.
Cerqueira César - Centro - 4501-8037
Capacidade: 153 pessoas

| Escrito por Nina Lopes às 18h41 | ![]() |
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Indigna
14/04/2008
Na última quinta, participei do programa Superpop e é um hábito enviar mensagens e scraps para meus amigos do Orkut avisando sobre minha participação. Bem, obviamente, “amigos” é apenas uma expressão, visto que já são quase 3.000 pessoas fazendo parte da minha rede social. Não faço um questionário ou seleciono rigorosamente quem deseja ser meu “amigo”. Muitos identificam-se como pessoas que acompanham meu trabalho e isso me basta. Não sei se mentem em seus perfis, se são gays ou hétero, homens ou mulheres. Se o pedido é educado, eu aceito. Pois bem, explicado o cenário, continuo. Eis que enviei mensagens para todos avisando da minha ida ao programa. O assunto abordado foi o “primeiro casamento gay do Brasil” (vide post anterior) e, como a discussão ao longo do programa foi pontuada pelo respeito e educação, a apresentadora frisou bastante a importância deste respeito para que alcancemos a tão desejada harmonia entre as identidades sexuais. Sem mais delongas, vou ao ponto. Chegando em casa, um dos primeiros recados no meu Orkut era: “Vocês tem razão, respeito é importante. Então comece pela minha família, pare de deixar recados para a minha filha”. Fiquei indignada. Em primeiro lugar me perguntei: “quem é sua filha, minha senhora?” e depois, que mãe é essa que, além de monitorar os recados da filha, interfere desta maneira em quem a garota escolheu para seu rol de amigos? A garota, não sei quem é, mas tínhamos umas quatro amigas em comum, ou seja, não sou a única lésbica que ela conhece. Temos aqui, dois cenários distintos: A garota é lésbica, mas a mãe não vê ou não aceita. Mantê-la longe de outras lésbicas certamente a “salvará” de um destino tão cruel afinal, lesbiandade é contagioso. A garota não é lésbica e a mãe acredita que lésbicas não são pessoas dignas de serem amigas da sua “princesa”, que este convívio é maléfico, pois todos nós homossexuais somos péssimas companhias. Diante desta situação, qual a probabilidade da erradicação do preconceito? Pais ainda acreditam que a homossexualidade está no outro e que ele é quem irá fazer com que seus filhos sejam ou deixem de ser homossexuais. Incentivam a exclusão e promovem a homofobia, proibindo seus filhos de qualquer contato com gays, mesmo a amizade. Tenho dó dessa garota. Se ela for homossexual, terá muitos problemas pela frente. Se não for, terá que ser muito íntegra para não se deixar levar pela homofobia da mãe. Tenho dó dessa mãe também. Viver dentro desta pequenez deve ser triste.
| Escrito por Nina Lopes às 14h10 | ![]() |
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Casamento ou ação de marketing?
26/03/2008
Recebi essa notícia por e-mail e divido com vocês um questionamento:
Trata-se de um evento para celebrar o amor entre duas pessoas ou uma ação de marketing?
No próximo dia 10 de abril, será realizado
Além de um contrato de parceria oficializando a União Estável entre os dois, Felipeh e Rafael, que vivem juntos há cinco anos, vão realizar uma cerimônia religiosa para abençoar seu casamento.
"Não somos ativistas de nenhum movimento gay e não queremos mudar o comportamento de ninguém. Apenas achamos que devemos comemorar nossa união, nosso amor, como faria qualquer casal apaixonado, com tudo o que temos direito. Está na hora desse patrulhamento todo acabar. Porque o Elton John pode e a gente não? A gente pode, sim, e vai ser lindo", diz Felipeh.
O casamento do ano acontecerá no Espaço Ônix. Ao som de atabaques, Felipeh e Rafael se unirão em cerimônia conduzida pelo babalorixá Pai Cido de Oxum, que ministrará o ritual de casamento orientado pelo candomblé, que já é a religião dos noivos. Um coral de baianas entoará cânticos durante a celebração.
Os noivos entrarão juntos, vestindo batas brancas de richelieu, produzidas pelo estilista Cacau Brasil, e estarão descalços, como manda a tradição afro. No altar, desenvolvido exclusivamente para a cerimônia, flores, pipoca e milho servirão de oferendas aos orixás.
O anel, que simboliza a aliança feita pelos noivos, é uma criação exclusiva da designer Rosana Negrão, em ouro branco e amarelo.
Assinado pela cake designer Fabíola Toschi, o bolo de casamento terá três andares e será decorado com fitinhas do Senhor do Bonfim. No topo do bolo, noivinhos em miniatura reproduzirão os noivos com a roupa do casamento. Os docinhos ficam por conta de
O catering do evento está a cargo da banqueteira Érika Meira, e o coquetel de recepção será animado pela banda Evolution.
Os convidados
Seiscentos convidados acompanharão o enlace. Entre eles, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (ainda não confirmou) e a ministra do Turismo Marta Suplicy (ainda não confirmou).
Também estão na lista de convidados amigos do casal, como Wanderlei Nunes, Miguel Giannini, Lígia Kogos, Astrid Fontenelle, Ilana Casoy, Tuna Dwek, Alzira e Alberto Luchetti, Biba Herchovitch, Luciana Gimenez e Marcelo de Carvalho, Amilcare Dallevo e Daniela Albuquerque, Irislene Stefanelli, Helô Pinheiro, Marcelo Camargo, Marina Mantega, Chieko Aoki, Sônia Abrão, Amaury Jr., Monique Evans, Alessandra Scatena e Rogério Gherbali, Ione Borges, Olga Bongiovanni, Sabrina Sato, Ane e Emílio Zurita, Bola e toda a turma do Pânico na TV, entre outros.
Os padrinhos
Entre os padrinhos do casamento estão a jornalista Joyce Pascowitch e Ezequiel Dutra, Mônica Pimentel (superintende-geral de programação e produção da Rede Tv!) e Ricardo Fuoco, Silvana e Wagner Calmon (escritor), Gisela Rao (escritora) e Paulo Vieira, Rodrigo Zanetti e Ester Dias, Vicente Siciliano (diretor da Editora Siciliano) e Juliana Carrera, Vitória Cury (apresentadora) e Edson Henrique, Joana Woo (presidente da Editora Símbolo) e André Gomes, José Roberto Siqueira (presidente da Tintas Coral) e Marlene Weissberg, Lino Verdigueiro (estilista) e Paula Strumbrys,Liz e Robson Britto (galerista), Marcia Possik (consultora de casamentos) e Rafael Possik (pecuarista), Maria João Abujamra (repórter), Ana Fadigas (editora da revista G Magazine) e Maurício Negrão, Adriana Monteiro e Beto França (maquiador).
Dia dos Noivos
A sessão relax de Felipeh e Rafael acontecerá no RW Persil Hair Design, do mais famoso cabeleireiro de noivas, Paulo Persil. Além do cabelo, os noivos também farão um day-spa.
Drinque exclusivo
O casamento ganhou o drinque Alaska, criado especialmente para o casamento pelo bartender Alexandre Perregil, da Bem Brasil Caipirinhas. Um mix de licor de amêndoa, vodca e creme de leite promete ser a sensação entre os convidados.
Pílulas do amor
Frascos com balas serão entregues como lembrancinhas do casamento, simbolizando pílulas do amor. A criação é de Ricardo Braghetta, da Cadô Presentes.
Lua-de-mel
Felipeh Campos e Rafael Scapucim partem, logo após o casamento, para uma viagem de uma semana para São Francisco, nos Estados Unidos.
| Escrito por Nina Lopes às 14h22 | ![]() |
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Idos tempos
09/03/2008
Dizem que o sentido que nos traz mais lembranças é o olfato.
Pode ser, mas hoje, especialmente hoje, meus ouvidos me levaram a uma viagem ao túnel do tempo, mais especificamente aos meus 14 anos quando eu ainda achava que ser feliz era ouvir música, ir para a escola, nadar no clube do bairro e brincar de esconde-esconde no final do dia com meus amigos.
Estou escolhendo umas músicas para tocar em uma festa cujo tema será os anos 80 e quando dei por mim, estava chorando copiosamente, com um aperto no peito, uma saudade não-sei-do-quê, uma nostalgia sem fim.
Foi nessa época que me apaxonei perdidamente por uma amiga e foi também quando descobri que isso se chamava ser "sapatão", isso que eu sempre senti, enfim, ganhava um nome e um sobrenome "sapatão dos infernos". Simpático, não?
U2, A-ha, Eurythmics, Soft Cell, Simple Minds, Madonna, todos, seguraram a minha barra quando eu chorava baixinho, ouvindo meu moderníssimo walkman de fita cassete, tentando entender o que acontecia comigo. Por quê eu era diferente das minhas amiguinhas? Sim, com essa pureza toda. Ter 14 anos há 20 anos atrás era ser criança ainda.
Quando minha mãe descobriu minha "tendência", me proibiu de sair, de falar com a minha, então, primeira paixão, de falar ao telefone, enfim, eu vivia praticamente em cárcere privado. E como foi duro passar por isso... Quase enlouqueci. Sofri tanto, mas tanto, que hoje sei que sou capaz de superar qualquer dor.
Era a primeira vez que me apaixonava na vida e fui separada dela sem dó nem piedade. Demais para um coração de adolescente, ainda mais ouvindo absurdos diários como: "você precisa de um car**lho enorme no meio da sua b**ceta pra ver se toma jeito!" ou "eu quero mais é que você se fo** mesmo".
Só Deus sabe de onde tirei forças para atravessar esse limbo. Tive força para atravessá-lo sem me entregar às drogas, álcool, ou qualquer outro tipo de vício degradante. E, acredite, tive acesso a tudo, tudo mesmo. Das drogas mais pesadas às mais brandas. Nunca sequer experimentei, nem o inocente cigarrinho da maria joana. Enfrentei de cara limpa, com o coração aos pedaços, mas a dignidade intacta.
Quando a barra apertava, eu deitava no escuro e seguia as instruções da minha música predileta (uma das 849):
Au dessus des vieux volcans,
Glisse des ailes sous les tapis du vent,
Voyage, voyage,
Eternellement.
De nuages en marécages,
De vent d'Espagne en pluie d'équateur,
Voyage, voyage,
Vole dans les hauteurs
Au dessus des capitales,
Des idées fatales,
Regarde l'océan...
Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Dans l'espace inouï de l'amour.
Voyage, voyage
Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Et jamais ne revient.
Acima dos velhos vulcões
Deslizando tuas asas sob o tapete do vento
Viaje, viaje, eternamente
Das nuvens aos pântanos
Do vento da espanha à chuva do equador
Viaje, viaje, voe até as alturas
Acima das capitais, das idéias fatais
Olhe o oceano
Viaje, viaje, mais longe que a noite e o dia
Viaje, viaje, no espaço inaudito do amor
Viaje, viaje, sobre a água sagrada de um rio indiano
Viaje, viaje e jamais retorne
E eu viajava, para longe de tudo aquilo, como que me libertando de uma prisão. Foram alguns anos até que minha mãe me aceitasse de fato, até que eu pudesse respirar aliviada e entender que eu não era doente, ou uma vergonha. Eu era exatamente a pessoa que minha mãe desejou que eu fosse: aplicada nos estudos, educada, culta, íntegra, honesta. A filha que qualquer mãe gostaria de ter. Até a minha.

| Escrito por Nina Lopes às 17h50 | ![]() |
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Nina Lopes, o mito
26/02/2008
Ah se eu fosse como todos imaginam... Seria o céu, mas o inferno também.
É interessante perceber como as pessoas vão criando fantasias em torno de alguém "público". Ok, ok, eu sei que não sou grande coisa, mas de uma maneira ou de outra, eu sou uma pessoa pública, sim.
Fico imensamente feliz (apesar de ficar tímida) quando me reconhecem e falam comigo a respeito do meu trabalho. Mais legal ainda é quando sou reconhecida fora do meio gay. Já fui reconhecida em metrô, bares e boates, livrarias e até restaurantes. E isso não se limita a São Paulo. Todos os estados que vou, pessoas me abordam e cumprimentam pela coragem de ser assumida ou pela coluna aqui no Mix.
Algumas pessoas, porém, talvez por falta de informação da mulher Nina Lopes, vão montando essa "Nina Frankstein", com características e personalidade das mais variadas, que quando chegam aos meus ouvidos, ora me fazem rir, ora me deixam triste em imaginar que alguém pode me "pintar" dessa maneira.
Exemplifico:
Mito n° 1
- Ah, a Nina Lopes? Iiiiiiihhh, sai fora, ela sai com várias mulheres ao mesmo tempo. É "mó" pegadora.
Eu abomino traição. Sou uma das pessoas mais fiéis que eu conheço. Jamais sairia com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Respeito os sentimentos alheios e os meus também.
Mito n° 2
- A Nina é uma mulher da noite, vive em balada. Dificil acompanhar o ritmo dessa mulher.
Eu só saio na noite quando toco, quando é aniversário de alguém ou quando um amigo precisa de mim. Do resto, sou extremamente caseira. Não troco um DVD com pipoca por uma noitada em boate.
Mito n° 3
- A Nina é insuportável. Arrogante e prepotente ao extremo.
Ouço isso desde sempre. Sou muito, muito, muito tímida e fico imensamente retraída em um meio que me é estranho. As pessoas confudem isso com arrogância, mas não é. Juro. Sou simples e tenho plena consciência do meu lugar.
Mito n° 4
- A Nina é rica!
Ha ha ha, quisera. É só isso: cara de rica. Na verdade, sou pobre-pobre-pobre de marré, marré, marré. As únicas riquezas que tenho são minha saúde, minha capacidade, minha família e meus amigos. É mais fácil me encontrar em um ônibus ou metrô do que dentro de um carro zero quilômetro. Mesmo porque, eu não dirijo.
Mito n° 5
- A Nina está se aproveitando do fato de ser lésbica para ganhar dinheiro.
Aqui, um ponto importante a ser esclarecido. Eu não sou remunerada pelo Mix para escrever os artigos, não ganho um centavo com o Balaio de Gata e nunca recebi nada para ir aos programas de TV ou dar entrevistas para revistas ou jornais. Ser lésbica assumida não me traz retorno financeiro. Sobrevivo do meu trabalho como publicitária e profissional de marketing. Aproveitando, se alguém precisar fazer um site ou um plano de marketing, fale comigo ;-)
Sou uma mulher de carne e osso, que tem medos, inseguranças, que sofre com falta de grana, com relacionamentos que não dão certo, que chora, ri, que é séria, íntegra, honesta, amiga, a ponto de doar o coração para um amigo ou familiar, se ele precisar. Sou uma mulher que também teme a solidão, que fica carente, que chora com propaganda de margarina, que quer amar e ser amada.
Sou assim, alguém que vai continuar lutando, a sua maneira, para fazer do mundo um lugar melhor para se viver.

Esta é a Kika, que me reconheceu no Bar da Fran e pediu
para tirar uma foto comigo
| Escrito por Nina Lopes às 16h03 | ![]() |
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Casamento de fato
28/01/2008
Este sábado fui "paraninfa" do casamento das minhas amigas, lendo o documento que selava a união das duas.
Chorei mais que as noivas, de alegria por elas e de emoção por participar de algo tão importante: um casamento de afeto que se torna um casamento de fato.
Elas assinaram a Declaração de Convivência Homoafetiva na APOGLBT, em frente aos padrinhos e testemunhas e realizaram o sonho de uma união amparada pela lei. A ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO de Gays, Lésbicas Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (APOGLBT-SP), instituiu o Livro de Registro de União Estável Homoafetiva, garantindo aos casais formados por pessoas do mesmo sexo documentação e orientações sólidas que permitem recebimento de pensão vitalícia em caso de morte de Companheiro , junto ao INSS.
Senti apenas a falta de parentes na cerimônia, que não foram ou por não se sentirem à vontade, ou por não aceitarem mesmo. Pena, acho importante o apoio e a presença de familiares em uma ocasião tão especial.
Ainda pagamos preços altos por nossas escolhas. E, escolhas tão simples. Escolhemos ser livres para amar e construir uma vida, ao lado de alguém que nos quer bem.
O que isso pode ter de tão ruim? Vai entender...

As noivas e DJs, Tati e NatAnis
| Escrito por Nina Lopes às 20h22 | ![]() |
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O ginecologista
22/01/2008
Dia desses fui ao ginecologista fazer a consulta de rotina (de seis em seis meses, rigorosamente. Depois do câncer de mama da minha mãe, todo cuidado é pouco) e fiquei "absurdada", como diria uma amiga, com o que ouvi.
- Você toma anticoncepcional?
- Não, sou lésbica e tenho relacionamento estável com mulheres.
(cara de espanto, disfarçada)
- Entendo que a maioria das lésbicas tem constragimento em assumir, mesmo que para o ginecologista, com medo de sofrerem preconceito.
- Eu não tenho preconceito, só não entendo isso.
(cara de espanto, minha, escancarada)
- Não entende o quê? Perguntei, já indignada.
- Na cama você é homem ou mulher?
(Quase caí da cadeira e me virei do avesso com aquela pergunta)
- Sou mulher, gosto de ser mulher. Você concorda que se eu quisesse ser homem, eu teria feito mastectomia ao invés de colocar silicone?
- Sim, mas uma mulher, quando coloca silicone, faz lipo, quer ficar bonita para atrair um homem.
- Sim, mas você concorda que eu gosto de mulher? Eu quero é atrair uma outra mulher!
- Mas isso não é natural, homem é que gosta de mulher.
- Mas muita mulher também gosta de mulher!
- Você não sente falta de penetração?
- Não.
- Você e sua companheira não usam um consolo, alguma coisa?
- Não sentimos a necessidade ainda, mas usaríamos se fosse o caso. Tem dedo, lingua, boca, a gente se vira bem.
- O bom mesmo é beijar na boca, né? (como se sexo entre lésbica fosse só beijo na boca)
-O bom mesmo é gozar, a menos que as mulheres hétero tenham um orgasmo diferente do meu, eu acho que não temos diferença em nada.
- Você gosta de sexo anal?
(Péeeeeeeee. O que esta pergunta tem a ver com todo o resto? Totalmente fora de contexto...)
- Não, não gosto.
- Bom, doutor, preciso de um exame de contagem de hormônio, o senhor pode fazer o pedido por favor?
- Sim, mas certamente seu testosterona vai dar alto, né? Você gosta de mulher...
(Péeeeeeeeee, com o perdão do meu francês, caralho, esse cara se formou ontem?)
- Acho que não tem nada a ver, né doutor? Se fosse assim, não teria lésbica com mioma.
Certamente não volto lá, nem para levar o resultado dos exames. Já está mais que na hora que profissionais da saúde sejam treinados para lidarem com a diversidade e respeitarem a orientação sexual das suas pacientes.
Ele disse, no começo da nossa conversa, que não era preconceituoso. Pode não ser, mas é machista, afinal, só acredita que pode haver sexo se há penetração, que toda mulher sente falta de penetração. Ah, faça-me o favor, penetração por penetração, pode ser até uma banana! Não preenche a cavidade do mesmo jeito?
| Escrito por Nina Lopes às 16h26 | ![]() |
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Normal ou anormal?
17/01/2008
"Por ser transexual, a cabelereira Roberta Góes Luiz, de 30 anos, perdeu a guarda de um bebê de 11 meses adotado por ela e por seu companheiro em São José do Rio Preto (SP). A decisão é do Tribunal de Justiça de São Paulo, que acolheu recurso do Ministério Público paulista. No pedido para retirada da guarda da criança, o promotor Cláudio Santos Moraes considerou o casal “anormal”." Fonte: Consultor Jurídico
Eu levanto todos os dias, trabalho, estudo, sinto fome, sede, sono. Quando eu me corto, sangra e dói. Fico doente, triste, feliz. Respeito a todos que me tratam com respeito, sou civilizada, integra e honesta.
Onde, eu me pergunto, onde eu poderia ser mais normal?
Imagine a seguinte situação: você é um alienígena que acaba de desembarcar na Terra e, durante uma semana, estudará o comportamente humano e poderá escolher se quer ser "normal" ou "anormal". Você assiste o noticiário, lê jornais e revistas e tudo o que vê é o seguinte:
"Pai "esquece" filho no carro. Criança morre desidratada."
"Pai estupra filha adolescente"
"Pais espancam bebê de um mês quase à morte"
"Criança encontrada em guarda-roupa, abandonada para morrer"
"Bebê jogado no rio dentro de saco de lixo"
"Bebê encontrado dentro de saco de lixo debaixo de pneu"
O que você escolheria ser?
Desde quando heterossexualidade é garantia de que as pessoas serão bons pais?
Para a Associação Americana de Pediatria é muito mais importante para a criança ser criada em um ambiente de carinho, amor e respeito do que a orientação sexual dos pais.
Podemos entender então, pela afirmação do promotor, que uma mãe solteira também é "anormal"? Que uma criança criada pelos avós, tios, parentes, vive em uma família "anormal"?
E, segundo ele, somente heterossexuais podem criar seres humanos íntegros. Ora, os pais do Hitler não eram heterossexuais? Os pais do maníaco do parque também? E os pais mortos a paulada a mando da filha, não eram heterossexuais?
É preciso urgentemente que a sociedade pare de associar a idéia de desvio de caráter com sexualidade. Se fosse hétero ou bi, eu seria exatamente a mesma pessoa que sou hoje.
Quem teve a infelicidade de assistir ao programa da Luciana Gimenez ontem, do qual participei como convidada, pôde ouvir absurdos ainda maiores. O promotor afirmou que homossexuais não tem conduta moral adequada para educar uma criança.
Questionado sobre o estado que a criança se encontrava quando foi retirado do convívio da Roberta, ele disse que a criança estava bem tratada, afinal, "um bebê de 5 meses de idade é igual uma boneca, qualquer um sabe cuidar".
Socorro!
| Escrito por Nina Lopes às 16h02 | ![]() |
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Ano novo, vida nova para valer
04/01/2008
Positivo, muito positivo. Este foi o saldo da minha rebeldia de final de ano.
Há seis anos passo o reveillon no Rio, quase como um ritual. Este ano decidi mudar e quebrar a rotina, na esperança de começar o ano com este propósito: o de fazer um ano completamente diferente.
Descobri no ano passado que planos são ótimos mas nem sempre conseguimos colocá-los em prática. 2007 não foi como planejei em 2006, em nenhum aspecto portanto, para este ano, meu único plano é fazer de tudo para que ele seja diferente. Vou fazer coisas que nunca fiz, viver coisas que deixei de viver por medo, vergonha ou qualquer outro sentimento paralisante.
E comecei pelo ano novo. Passei ao lado de pessoas incríveis e que me acolheram muitíssimo bem. Além dos seres humanos, minhas pseudo-férias foram repletas de bichos de estimação daqueles que me receberam: 2 gatos e 4 cachorros lindos.
Descansei, comi mais de cem ostras (meu estoque de libido está bombando), conheci gente interessante, gente metida, gente bonita, gente inteligente, uma praia linda e vários restaurantes. Foi um passeio gastronômico e de descanso, avesso à agitação que se espera de alguém que vai a Florianópolis. Não importa, afinal, este era o propósito, fazer diferente.
Até a viagem de avião foi incrível. Eu tenho pavor de voar, começo a passar mal já quando compro a passagem mas desta vez, até olhar pela janela, olhei. Uma verdadeira revolução na minha vida.
E assim começo 2008, cheia de esperança de um ano melhor e pronta para mudar. Até inscrição na academia já fiz. Quem diria...
Que o seu ano também seja repleto de mudanças, daquelas que nos edificam.

Nina Lopes e PatyLaus na virada do ano
| Escrito por Nina Lopes às 13h55 | ![]() |
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Os animais também sofrem com a separação
17/12/2007
Não são só os humanos que sofrem com as separações, os animais de estimação também.
Me casei duas vezes e das duas uniões vieram os filhotes, substituindo os filhos que nunca quisemos ter.
Do segundo casamento ficou a Mel, uma siamesa que dei de presente para a minha então namorada, alguém que eu nem sonhava, seria minha esposa. Não sou muito de gatos e talvez se eu soubesse que moraríamos juntas, nem tivesse inventado essa história de gato de presente, mas a Mel era especial. Ela me amava a sua maneira e eu a ela também. Soube que ainda hoje ela dorme na minha cadeira de trabalho e mia pela casa me procurando. Ela ganhou um irmão, o Lisboa, para compensar a minha ausência e deve estar a-d-o-r-a-n-d-o a novidade, afinal, que gato não ADORA (grrrrr) dividir a atenção do dono?
Do primeiro casamento, ficou a Penpen, uma japanese chin preta, linda e super carinhosa. Quer dizer, ficou, não, foi, pois ela vive com a minha ex em outro apartamento. Ainda hoje choro de saudades dela, minha companheira diária, mimada e cara de pau. A saudade e o abandono nela foi tão impactante que ela teve que ganhar um cachorrinho também, para alegrar os seus dias e lhe fazer companhia. Ontem fui matar a saudade da Penpen e conhecer minha afilhada, a Mémé, a cachorrinha de estimação da minha cachorra!
Foi a primeira vez que visitei a casa da minha ex, depois de quase três anos de separação. É bacana quando ainda fica alguma coisa, além da posse compartilhada dos bichos de estimação.
É quase como se as dores da separação estivessem domadas e devidamente domesticadas. O reencontro é o momento de libertá-las e devolvê-las para o Universo, transformadas em amizade e cumplicidade.
Vão-se os relacionamentos, ficam-se os bichinhos e as dores de estimação.
| Escrito por Nina Lopes às 16h05 | ![]() |
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Tia Sukita
14/12/2007
Sempre frequento salas de bate papo, seja fazendo pesquisa para novos artigos ou passar o tempo conversando com pessoas interessantes (com sorte).
Dia desses estava papeando com uma garota, que dizia ter 25 anos e que estava hiper-ultra-máxi-ansiosa para me conhecer.
- Calma, garota! Por que essa ansiedade? - Falei (ou digitei?)
- Quero te conhecer, preciso te conhecer. - Ela disse, afobada.
Quase pude ver ela respirando no saquinho de papel do outro lado do Brasil, batendo o pé agitada, passando mal de ansiedade pela minha resposta.
- Gata, de boa, eu ainda estou fechada para balanço, não quero nada além de um papo agora. - Respondi, sem pressa.
- Então podemos ser amigas? Hein, hein? - Mais respiração dentro do saquinho.
- Gata, se nem amizade a gente conquista com essa pressa toda, que dirá uma paquera! Calma.
- Preciso te dizer a verdade, não tenho 25 anos, tenho 18.
- Ah sim, agora entendo essa ansiedade toda.
Conversamos sobre assumir-se, sobre coisas da vida até que, ao despedir-se, ela pergunta:
- Posso te chamar de TITIA?
Só não caí porque estava sentada. TITIA? Peço perdão pelo meu francês mas... pâtaquepariu, TITIA?
Meu mundo caiu. Eu agora sou a Tia Sukita. Pode?
Saí cabisbaixa da sala, contando os fios de cabelo brancos na frente do espelho (três e um fio na sobrancelha).
Titia foi phodda, com "ph" e dois d`s de Toddynho.
Por que temos tanto medo de envelhecer? As vezes penso sobre isso (principalmente quando me chamam de titia). Talvez seja porque envelhecer significa aproximar-se cada vez mais da morte, da invalidez ou da dependência de alguém. E também tem a perda da beleza, eu acho.
Não tenho opinião formada sobre isso. Eu gosto de ter 35 anos, nunca escondo minha idade de ninguém, pelo contrário, tenho orgulho de tê-los. Os cabelos brancos eu dispenso, confesso, mas a idade e a experiência, não.
E você, tem medo de envelhecer? Por que?

| Escrito por Nina Lopes às 14h35 | ![]() |
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Caixas de papelão
10/12/2007
Um dia, um casamento, uma casa, uma vida a duas, planos de uma viagem ao exterior e até de um tapete novo para a sala. No outro, nada. Nada. Só você, suas roupas dentro de sacos de lixo, usados na pressa de se retirar da vida de alguém, e o vazio das perguntas sem resposta que atormentam sua mente. Nada que explique o frio “preciso ficar sozinha, por favor, vá embora”, que soa como desculpa esfarrapada para qualquer ouvido mais treinado e experiente.
- Por que? Onde eu errei? O que aconteceu?
- Você mentiu quando disse que me amava?
Mas nenhuma resposta vem. De um dia para o outro você passa de dona do mundo a uma alma perdida na multidão. Tudo o que você acreditava estar certo, perfeito e encaixado cai por terra diante dos seus olhos incrédulos e impotentes. Esses mesmo olhos que não viram que você estava sozinha na relação.
Aos poucos, as coisas que ficaram para trás vão sendo devolvidas em caixas de papelão, empilhadas em cima da esperança de que aquilo tudo não passa de um pesadelo. Não, não é mentira, acabou. Simplesmente acabou.
Nos ensinam a conquistar, manter e vivenciar um relacionamento, mas nunca nos ensinaram a encaixotar um amor que ainda pulsa intenso dentro do seu coração. O que a gente faz com isso? Com essa saudade louca? Com a falta que a pessoa te faz? O que a gente faz com um amor que ainda não acabou?
Por favor, alguém me ensine a “desamar”, a empacotar um casamento em caixas de papelão e sorrir ao devolvê-lo. Essa lição, só ela aprendeu.

| Escrito por Nina Lopes às 20h10 | ![]() |
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Pode?
05/12/2007
Semana passada participei do programa Superpop que debateu a apresentação da drag na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Uma breve explicação para que você acompanhe meu raciocínio: Henrique, também conhecido como Nick, ofereceu ao deputado Carlos Gianazzi uma apresentação performática durante o lançamento da frente parlamentar em favor dos direitos GLBTS, na Assembléia Legislativa em São Paulo.
Usando apenas tapa-sexo, Nick escandalizou os despreparados e acabou provocando uma reação extrema, podendo o deputado perder seu mandato por quebra de decoro por ter permitido que o show acontecesse.
É importante esclarecer que o deputado não sabia como seria o show porém, ao ser pressionado pelo deputado Waldir Agnelo, que iniciou o processo de análise de quebra de decoro, ele não cedeu e defende ferrenhamente a apresentação da Nick como forma de protesto.
Existem aqui, duas questões a serem discutidas:
1- Este tipo de apresentação é válida e positiva?
2- A reação do deputado Waldir Agnelo foi exagerada e baseada em preconceito?
Defendi uma posição ingrata, mas embasada em crenças particulares. Não apoiei a apresentação, pelo menos não da maneira que foi. Já assisti shows belíssimos de drags e Nick poderia ter tido um pouco mais de bom senso. Por que não o uso de uma fantasia menos agressiva? Qual a verdadeira intenção dele? Protestar ou chocar? Ou será que ele foi tão ingênuo que não imaginou que isso pudesse repercutir de maneira tão negativa?
Sempre levei muito a sério minhas "aparições públicas". Uma vez em público, falando sobre homossexualidade, não sou Nina Lopes, mas uma lésbica brasileira. Eu dou voz ao coletivo e qualquer deslize meu recai sobre o todo. Imagine se eu resolvesse ficar pelada no programa e sambar em frente as câmeras? Certamente, o título de qualquer matéria sobre o assunto seria "Lésbica tresloucada perde a pose e dança nua em televisão" e, mais certamente ainda, quem estivesse vendo o programa diria "tinha que ser sapatão!". Observe como, em nenhum momento, eu seria citada como publicitária, cidadã, DJ ou qualquer outra coisa que o valha. Minha sexualidade, neste caso, seria referência única. Por inconseqüência minha, todas as lésbicas brasileiras passariam por loucas e exibicionista.
Não podemos dar força para os que lutam contra a diversidade. Foi nesse deslize do Nick que o deputado Waldir Agnelo encontrou a brecha para, amparado pela lei, mostrar que nós somos "indecentes" e "inapropriados". Amparado pela lei ele poderá destilar todo o ódio que nutre pelos homossexuais e ainda tirar alguém que pretende defender nossos direitos do caminho.
Não acredito que vamos chegar a lugar algum com uma posição combativa, agressiva e que fere o direito das pessoas de não estarem preparadas para os homossexuais em toda a sua pluralidade. Creio que conquistamos respeito dando respeito.
Mahatma Gandhi ("Mahatma", do sânscrito "A Grande Alma") foi um influente defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. Também acredito nisso, piamente.
Veja uma parte da apresentação da Assembléia:
http://www.youtube.com/watch?v=hvibCdYNnqs

| Escrito por Nina Lopes às 08h46 | ![]() |
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Do you believe in life after love?
09/11/2007
Acho que essa sensação que vamos morrer depois que um relacionamento termina é universal.
É um dor tão real, física, intensa, que quase nos impede de respirar.
E a gente tem certeza que não vai sobreviver, que dessa a gente não sai.
Um vez, ouvi uma fábula que me ajudou bastante em uma fase difícil.
“Eu estava caminhando e vi um buraco. Mesmo o vendo, eu cai naquele buraco. Lá no
fundo, no escuro, me desesperei, gritei por socorro, perdi minhas forças e achei que nunca sairia daquele buraco.
O tempo passou e comecei a ver um luz. Vi que podia sair daquele buraco me apoiando na parede. Demorou, mas eu sai daquele buraco.
Eu estava caminhando e vi um buraco. Mesmo o vendo, eu cai naquele buraco. Lá no fundo, no escuro, passado um tempo, me lembrei como sair de um burado, pois eu já havia estado tempo demais em um buraco anteriormente.
Eu estava caminhando e vi um buraco. Desviei e peguei outro caminho.”
Com o tempo a gente aprende que sobrevive, sim. Que demora, mas passa. Que dói, que sufoca, que desnorteia, que tira a gente do prumo, mas que uma hora, a dor vai embora.
Um dia a gente aprende a desviar do buraco. Tenho fé.
| Escrito por Nina Lopes às 15h01 | ![]() |
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